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Bem-vindo ao DILEMA!

O DILEMA – Diretório de Instrução e Letras Maçônicas é um espaço dedicado à reflexão, ao estudo crítico e à troca de ideias sobre a Maçonaria. Seu nome carrega um duplo sentido: é um acrônimo que remete à organização dos conteúdos e, ao mesmo tempo, simboliza o dilema constante do maçom moderno diante da abundância de informações — nem todas confiáveis, nem todas construtivas. Este projeto não se propõe a ser uma autoridade ou tribunal de verdades maçônicas. Pelo contrário: nasce do interesse genuíno de um irmão entusiasta pela tradição, pela simbologia e pela história da Maçonaria, que decidiu reunir e compartilhar conteúdos que provoquem pensamento, diálogo e amadurecimento. Aqui você encontrará temas clássicos e contemporâneos, apresentados de forma acessível, sempre com o cuidado de estimular o leitor a buscar por si mesmo — com espírito crítico, rigor e respeito à diversidade de visões dentro da Ordem. Mais do que respostas prontas, o DILEMA oferece perguntas bem feitas.
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O CAMINHO DAS PEDRAS

Ao romper da manhã, quando o orvalho ainda se desfazia sobre o vale, os talhadores de pedra já se encontravam nas imediações da pedreira. O frescor da manhã era agradável, mas no horizonte o sol permeava as poucas nuvens no céu e seus raios se projetavam sobre o topo do paredão rochoso que os encarava para mais um dia de trabalho, anunciando que o dia seria quente e exaustivo. Os cabouqueiros — como eram chamados os trabalhadores que faziam a extração das pedras na pedreira — eram uma das classes de operários que ali trabalhavam. Apesar de numerosos, eram trabalhadores pouco instruídos e realizavam as tarefas mais árduas e braçais no canteiro. Por isso, tinham pouco prestígio dentre seus companheiros. Apesar disso, sua função era indispensável para a consecução da grandiosa obra que se erigia próximo dali. No canteiro da obra, outras classes de trabalhadores da pedra empreendiam seus esforços para erguer um opulento palácio, digno de um rei. Um pequeno grupo liderava a construção e ela...

A ESTÓRIA DO CAIXEIRO VIAJANTE

Um rapaz simpático, educado, de bons hábitos e bem-sucedido na vida, que exercia a profissão de caixeiro-viajante, resolveu comemorar seu noivado num restaurante discreto e aconchegante em cidade que também fosse assim. Como já havia viajado muito, não foi difícil escolhê-la. O rapaz partiu com a noiva e a mãe dele em direção ao lugar preferido. Após algumas horas de viajem, chegaram à cidade de Pedra Dura. Hospedaram-se e em seguida o rapaz saiu à procura do restaurante que mais lhe agradasse. Era cedo, manhã bonita e calma. Andou pelas ruas pacatas e encontrou o restaurante à beira de um riacho: o Restaurante Três Irmãos. O nome do estabelecimento agradou-o. Deu três pancadas na porta. Em seguida, uma voz respondeu às batidas: — Quem vem lá? — Sou um cliente que deseja tratar de jantar comemorativo — respondeu o rapaz. — Pois, então, entrai. O viajante entrou e um homem simpático e educado esperava-o no salão. — Bom dia! cunprimentou o recém-chegado e perguntou: — Sois garçom? — ...

A LENDA DE CERES E PERSÉFONE: UMA REFLEXÃO SOBRE A VIDA

Desde o início da humanidade, o homem procura compreender sua existência e os mistérios da vida e da morte, buscando entender o que há de incompreensível e enigmático na jornada que se segue após o fim da vida. Em nossa era, deparamo-nos com diversos mitos, lendas, religiões, cultos e rituais que mantêm esses mistérios velados, segundo suas próprias tradições. Entre todas essas tradições, destaco o mito de Ceres e Perséfone, uma antiga narrativa que transmitia ensinamentos sob a forma de ritos iniciáticos. Essa lenda explicava as estações do ano, os ciclos de morte e renascimento, a superação da dor e do sofrimento, a aceitação, o equilíbrio e a esperança de um destino de paz para a alma. A História do Mito Na mitologia romana, a história de Ceres e Prosérpina, equivalente ao mito grego de Deméter e Perséfone, constitui um dos cultos mais importantes da Grécia Antiga e uma das narrativas mais simbólicas sobre a origem das estações do ano e o ciclo da vida. Ceres era a deusa da agricult...

A VOZ DAS PAREDES — AS INSCRIÇÕES DA CÂMARA DE REFLEXÃO

A Câmara de Reflexão é o espaço onde, nos ritos que a possuem, o candidato é recolhido antes de sua admissão no templo na ocasião de sua iniciação. Ela se constitui de um ambiente austero reduzido ao silêncio e a penumbra, onde destacam-se, além dos símbolos presentes na mesa à qual se senta o candidato, algumas sentenças lúgubres gravadas nas paredes. Embora haja variações entre ritos e potências maçônicas, essas sentenças costumam ser as seguintes: V.I.T.R.I.O.L.  —  Visita Interiora Terrae Rectificando que Invenies Occultum Lapidem Memento Mori — Lembra-te de que és mortal Nosce te Ipsum — Conhece-te a ti mesmo Orgullo — orgulho Na Câmara do Rito Escocês Antigo e Aceito do GOB, é mister que exista gravado nas paredes a seguinte exortação: Se a curiosidade aqui te conduz, retira-te Se tens receio de que se descubram os teus defeitos, não estarás bem entre nós Se fores dissimulado, serás descoberto Se és apegado às distinções mundanas, retira-te; nós aqui não as conhecemos ...

O COMPROMISSO DO MESTRE MAÇOM

A viagem de um Mestre Maçom constitui um compromisso contínuo com a difusão da luz e a reunião daquilo que se encontra disperso. Em termos práticos, o mestre viaja com o propósito de aprender o que ainda não sabe e ensinar o que já compreendeu. Ele se movimenta pelo mundo para apressar o triunfo do direito e da justiça, utilizando a verdade como sua ferramenta principal. Seu objetivo reside em unir as pessoas acima das convicções que costumam separá-las, somando todas as pesquisas e boas vontades em um esforço comum. Enquanto forças externas buscam dividir a humanidade para dominá-la em favor de interesses egoístas, os mestres se empenham na reconciliação. Eles buscam conjugar as diferentes visões e conhecimentos para livrar o homem do erro e demonstrar, na prática, os benefícios da fraternidade universal. A Câmara do Meio, onde se reúnem os mestres, funciona como um ponto de convergência para todas as crenças que libertam o indivíduo. Trata-se de um centro onde se restaura a confiança...

PESQUISA SOBRE HÁBITOS DE ESTUDO ENTRE MAÇONS

Este artigo investiga, entre maçons participantes do estudo, como hábitos de leitura maçônica se relacionam com percepções de conhecimento, barreiras ao estudo e disposição para atividades de instrução, tomando como referência o ensaio de Albert G. Mackey sobre “maçons que leem e maçons que não leem”. Foi realizado um levantamento por questionário (31 perguntas), com análise descritiva das respostas e exame temático de uma questão aberta. Os resultados apontam valorização declarada do conhecimento e alta disposição para estudo em grupo, coexistindo com barreiras de tempo, rotina e cansaço, além de predominância de conteúdos online e textos curtos. Conclui-se que a tese de Mackey encontra aderência parcial, sustentando debate e ações de instrução em Loja. Palavras-chave :Maçonaria; leitura maçônica; instrução maçônica; hábitos de estudo; questionário. Introdução Este artigo nasceu após a leitura do clássico texto de Albert G. Mackey publicado em 1874 e intitulado de Maçons que Leem e Ma...

MAÇONS QUE LEEM E MAÇONS QUE NÃO LEEM

Suponho que haja homens de qualquer outra classe a quem se possa imputar igual ignorância de sua própria profissão. Não existe relojoeiro que não saiba alguma coisa acerca dos elementos da relojoaria, nem ferreiro que seja totalmente ignorante das propriedades do ferro em brasa. Elevando-nos aos níveis mais altos da ciência, causar-nos-ia grande espanto encontrar um advogado ignorante dos elementos da jurisprudência, ou um médico que jamais tivesse lido um tratado de patologia, ou um clérigo que nada soubesse de teologia. Não obstante, nada é mais comum do que deparar-se com maçons que se encontram em completa obscuridade quanto a tudo o que se relaciona à Maçonaria. Ignoram a sua história — não sabem se é uma produção efêmera dos dias atuais ou se remonta a eras remotas quanto à sua origem. Não compreendem o significado esotérico de seus símbolos ou de suas cerimônias e mal dominam seus modos de reconhecimento. E, ainda assim, nada é mais frequente do que encontrar tais ignorantes na ...