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Postagens

Bem-vindo ao DILEMA!

O DILEMA – Diretório de Instrução e Letras Maçônicas é um espaço dedicado à reflexão, ao estudo crítico e à troca de ideias sobre a Maçonaria. Seu nome carrega um duplo sentido: é um acrônimo que remete à organização dos conteúdos e, ao mesmo tempo, simboliza o dilema constante do maçom moderno diante da abundância de informações — nem todas confiáveis, nem todas construtivas. Este projeto não se propõe a ser uma autoridade ou tribunal de verdades maçônicas. Pelo contrário: nasce do interesse genuíno de um irmão entusiasta pela tradição, pela simbologia e pela história da Maçonaria, que decidiu reunir e compartilhar conteúdos que provoquem pensamento, diálogo e amadurecimento. Aqui você encontrará temas clássicos e contemporâneos, apresentados de forma acessível, sempre com o cuidado de estimular o leitor a buscar por si mesmo — com espírito crítico, rigor e respeito à diversidade de visões dentro da Ordem. Mais do que respostas prontas, o DILEMA oferece perguntas bem feitas.
Postagens recentes

A MAÇONARIA REGULAR E O PROBLEMA DA INICIAÇÃO DE MULHERES

A revolução feminina! Assim poderia chamar-se esse acontecimento fundamental para a história do mundo, transcendendo a todos os progressos técnicos, e que a nossa época realizou. A Franco-Maçonaria, por sua fidelidade ao princípio de masculinidade, não teria permanecido aquém da sociedade civil? Não existiria entre elas uma defasagem? Quais seriam as causas? Como será a Franco-Maçonaria do ano 2000?  (MELLOR, 1976, p.80) Esta interrogação, formulada por Alec Mellor há cinquenta anos em seu livro Os Grandes Problemas da Atual Franco-Maçonaria (1976), permanece atual, não apenas pelo avanço da condição das mulheres em nossa sociedade, mas porque obriga a Maçonaria a revisitar seus fundamentos à luz de um mundo em constante transformação. Dedicando um capítulo inteiro de seu livro ao tema das mulheres na Maçonaria, Mellor parte do reconhecimento inegável da revolução feminina, que hoje é estrutural, consolidada e irreversível. O ingresso das mulheres na vida política, intelectual e e...

IMPRESSÕES SOBRE A INICIAÇÃO

Ser iniciado na Maçonaria é, para todo maçom, uma experiência que vai muito além do ritual de iniciação, sendo um marco simbólico e transformador que provoca uma verdadeira revolução interior. A iniciação representa o início de uma jornada espiritual em direção à luz do conhecimento, da sabedoria, da ética, da fraternidade e do amor universal. É comum que os iniciados descrevam esse momento como um renascimento. Após anos caminhando em um mundo repleto de incertezas, conflitos internos e ilusões exteriores, a cerimônia de iniciação surge como um clarão que rompe a escuridão. Pela primeira vez, o espírito parece enxergar aquilo que os olhos nunca haviam percebido: a possibilidade real de trilhar um caminho pautado pela harmonia e pelo aprimoramento moral. No entanto, longe de ser um fim em si mesmo, a iniciação é apenas o primeiro passo. Logo se compreende que a luz que nos é dada vem acompanhada da grande responsabilidade de trabalhar ativamente na construção de um mundo mais justo, li...

A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E A PREGUIÇA INTELECTUAL NA MAÇONARIA

De uns tempos para cá, tenho sentido algum incômodo ao ouvir certos textos maçônicos sendo lidos em Loja. Eles são organizados e corretos do ponto de vista formal. Muitas vezes, inclusive, trazem informações úteis e podem ampliar a compreensão de quem escuta. O incômodo surge quando fica claro que quem apresentou o texto não passou por nenhum processo real de estudo. Com a popularização da inteligência artificial, isso ficou mais fácil de perceber, mas não é algo novo. A tecnologia apenas escancarou um hábito antigo. Apresentar textos prontos sem que isso tenha acrescentado algo a quem os apresenta. Escrever, na Maçonaria, nunca foi um fim em si mesmo. Sempre foi um meio. Um meio para organizar ideias, confrontar leituras, perceber incoerências e, muitas vezes, descobrir que se sabia menos do que se imaginava. É por isso que comecei este blog. Aprendo escrevendo e depois compartilho minhas ideias. É dessa forma que imagino que muitos irmãos deveriam encarar a tarefa de escrever um text...

A PROVA DA TERRA

No Rito Escocês Antigo e Aceito, a prova da terra é a primeira experiência simbólica do candidato no dia da sua iniciação. Ela ocorre na Câmara de Reflexão e seu objetivo é preparar o candidato para ingressar na Ordem, colocando-o em contato consigo mesmo antes mesmo que qualquer instrução ou ritual seja executado no Templo. A terra simboliza a origem, a base. Tudo nasce da terra e a ela retorna. Sendo assim, quando o candidato é introduzido na Câmara de Reflexão está simbolicamente voltando ao ponto inicial, ao essencial (de essência). Por isso, a Câmara é pequena, sem janelas, pouco iluminada e silenciosa. Ela representa uma caverna, um espaço de recolhimento, onde o candidato fica afastado temporariamente do mundo exterior para refletir sobre sua existência, sobre sua própria condição. Durante a Prova da Terra, o candidato passa por três experiências fundamentais. A primeira delas é o despojamento. Ao deixar joias, dinheiro, objetos metálicos e adornos, o candidato é colocado simbol...

A RÉGUA LISA E A RÉGUA DE 24 POLEGADAS

No Rito Escocês Antigo e Aceito, o Aprendiz não utiliza régua. Porém, este instrumento tem importante papel simbólico na passagem do grau de Aprendiz para Companheiro. No cerimonial são utilizadas duas réguas, uma lisa, sem graduação, e outra graduada, com 24 polegadas. Uma vez que estas não são ferramentas de Aprendiz, qual a explicação do seu uso pelo Aprendiz na elevação? Para responder a esta pergunta é necessário que entendamos que os procedimentos ritualísticos que são adotados têm sempre uma razão ligada à concepção e doutrina do rito. Nesse sentido, precisamos voltar no tempo e analisar as páticas operativas das antigas corporações de ofício. Naqueles tempos, não haviam graus maçônicos como hoje, mas tão somente duas classes de trabalhadores da pedra: os Aprendizes Admitidos e os Companheiros do Ofício. Era comum que o Companheiro mais experiente fosse escolhido para coordenar a obra, sendo por isso chamado de Mestre da Obra. Apesar do título, não estamos falando aqui do grau d...

EXPOSURES MAÇÔNICAS DO SÉC. XVIII — PEQUENA ANÁLISE DE THREE DISTINCT KNOCKS (1760)

O século XVIII foi um período marcado por disputas na maçonaria inglesa. A criação da Grande Loja da Inglaterra em 1717 pelos Modernos de Londres não foi bem aceita por uma parcela importante dos maçons ingleses, especialmente os de York, cidade situada ao norte da Inglaterra. Os maçons Antigos, como se autodenominavam, acusavam os Modernos de Londres de terem deturpado os rituais, simplificando cerimônias e introduzindo certas ‘novidades’ liberais sobre as quais eram totalmente contra. Essa contenda teve um importante episódio em 1751 com a fundação, pelos Antigos, da Grande Loja dos Antigos, com o pressuposto de serem eles os “guardiões da antiga tradição”. Nessa época, a maçonaria inglesa passava por uma fase muito turbulenta, especialmente por causa dos vários textos reveladores (exposures) que vinham sendo publicados pelos jornais londrinos, onde eram divulgados vários detalhes dos costumes maçônicos e o modo como os maçons da época trabalhavam em suas lojas. Uma vez que esses tex...

A RETIDÃO DO GRAU DE COMPANHEIRO: REFLEXÃO SOBRE AMÓS 7:7-8

Amós era um homem simples, de origem rural, que viveu por volta de meados do século VIII a.C. Sua profissão era a de pastor de ovelhas, boiadeiro e colhedor de sicômoros (um tipo de figo). Seu período de profecia situa-se entre os reinados de Uzias, rei de Judá (Reino do Sul), e Jeroboão II, rei de Israel (Reino do Norte). Amós vivia na cidade de Tecoa, uma aldeia localizada a aproximadamente 16 km ao sul de Jerusalém, 9 km de Belém e 20 km a oeste do Mar Morto, no reino de Judá. O nome Amós significa “carregador de fardos”, do hebraico ‘amos’. Seu chamado ocorreu para profetizar no reino de Jeroboão, em Israel. Naquele período, havia paz entre Judá e Israel. O rei havia restaurado as fronteiras, conforme profetizado por Jonas (2Rs 14:25). A mensagem de Amós denunciou a condição social (Am 2:6,7), moral (Am 2:7,8) e religiosa (Am 2:8-12) da nação. Amós viveu em um tempo em que a ganância e o dinheiro falavam mais alto: os ricos buscavam acumular ainda mais, a imoralidade atingia níveis...