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Mostrando postagens com o rótulo ASSUNTOS GERAIS

TOLERÂNCIA: UMA VIRTUDE NECESSÁRIA (MAS NADA SIMPLES)

Falar sobre tolerância parece, à primeira vista, algo simples. Afinal, quase todo mundo concorda que ela é importante. A palavra circula com facilidade em discursos, textos, debates e até em conversas cotidianas. Mas basta olhar com um pouco mais de atenção para perceber que tolerar, de fato, está longe de ser uma tarefa fácil. A própria ideia de tolerância já carrega uma tensão interessante. Em geral, ela remete à disposição de aceitar no outro modos de pensar, agir e sentir diferentes dos nossos. Não se trata, necessariamente, de concordar, muito menos de admirar tudo aquilo que nos contraria. Trata-se, antes, de reconhecer que a convivência humana exige certa capacidade de suportar diferenças, frustrações, divergências e limites. Essa noção aparece em definições mais comuns da palavra, mas também atravessa reflexões filosóficas importantes. Voltaire, por exemplo, via a tolerância como um traço essencial da humanidade, quase como uma exigência natural da vida em sociedade. Se todos s...

O CAMINHO DAS PEDRAS

Ao romper da manhã, quando o orvalho ainda se desfazia sobre o vale, os talhadores de pedra já se encontravam nas imediações da pedreira. O frescor da manhã era agradável, mas no horizonte o sol permeava as poucas nuvens no céu e seus raios se projetavam sobre o topo do paredão rochoso que os encarava para mais um dia de trabalho, anunciando que o dia seria quente e exaustivo. Os cabouqueiros — como eram chamados os trabalhadores que faziam a extração das pedras na pedreira — eram uma das classes de operários que ali trabalhavam. Apesar de numerosos, eram trabalhadores pouco instruídos e realizavam as tarefas mais árduas e braçais no canteiro. Por isso, tinham pouco prestígio dentre seus companheiros. Apesar disso, sua função era indispensável para a consecução da grandiosa obra que se erigia próximo dali. No canteiro da obra, outras classes de trabalhadores da pedra empreendiam seus esforços para erguer um opulento palácio, digno de um rei. Um pequeno grupo liderava a construção e ela...

A ESTÓRIA DO CAIXEIRO VIAJANTE

Um rapaz simpático, educado, de bons hábitos e bem-sucedido na vida, que exercia a profissão de caixeiro-viajante, resolveu comemorar seu noivado num restaurante discreto e aconchegante em cidade que também fosse assim. Como já havia viajado muito, não foi difícil escolhê-la. O rapaz partiu com a noiva e a mãe dele em direção ao lugar preferido. Após algumas horas de viajem, chegaram à cidade de Pedra Dura. Hospedaram-se e em seguida o rapaz saiu à procura do restaurante que mais lhe agradasse. Era cedo, manhã bonita e calma. Andou pelas ruas pacatas e encontrou o restaurante à beira de um riacho: o Restaurante Três Irmãos. O nome do estabelecimento agradou-o. Deu três pancadas na porta. Em seguida, uma voz respondeu às batidas: — Quem vem lá? — Sou um cliente que deseja tratar de jantar comemorativo — respondeu o rapaz. — Pois, então, entrai. O viajante entrou e um homem simpático e educado esperava-o no salão. — Bom dia! cunprimentou o recém-chegado e perguntou: — Sois garçom? — ...

PESQUISA SOBRE HÁBITOS DE ESTUDO ENTRE MAÇONS

Este artigo investiga, entre maçons participantes do estudo, como hábitos de leitura maçônica se relacionam com percepções de conhecimento, barreiras ao estudo e disposição para atividades de instrução, tomando como referência o ensaio de Albert G. Mackey sobre “maçons que leem e maçons que não leem”. Foi realizado um levantamento por questionário (31 perguntas), com análise descritiva das respostas e exame temático de uma questão aberta. Os resultados apontam valorização declarada do conhecimento e alta disposição para estudo em grupo, coexistindo com barreiras de tempo, rotina e cansaço, além de predominância de conteúdos online e textos curtos. Conclui-se que a tese de Mackey encontra aderência parcial, sustentando debate e ações de instrução em Loja. Palavras-chave :Maçonaria; leitura maçônica; instrução maçônica; hábitos de estudo; questionário. Introdução Este artigo nasceu após a leitura do clássico texto de Albert G. Mackey publicado em 1874 e intitulado de Maçons que Leem e Ma...

A MAÇONARIA REGULAR E O PROBLEMA DA INICIAÇÃO DE MULHERES

A revolução feminina! Assim poderia chamar-se esse acontecimento fundamental para a história do mundo, transcendendo a todos os progressos técnicos, e que a nossa época realizou. A Franco-Maçonaria, por sua fidelidade ao princípio de masculinidade, não teria permanecido aquém da sociedade civil? Não existiria entre elas uma defasagem? Quais seriam as causas? Como será a Franco-Maçonaria do ano 2000?  (MELLOR, 1976, p.80) Esta interrogação, formulada por Alec Mellor há cinquenta anos em seu livro Os Grandes Problemas da Atual Franco-Maçonaria (1976), permanece atual, não apenas pelo avanço da condição das mulheres em nossa sociedade, mas porque obriga a Maçonaria a revisitar seus fundamentos à luz de um mundo em constante transformação. Dedicando um capítulo inteiro de seu livro ao tema das mulheres na Maçonaria, Mellor parte do reconhecimento inegável da revolução feminina, que hoje é estrutural, consolidada e irreversível. O ingresso das mulheres na vida política, intelectual e e...

A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E A PREGUIÇA INTELECTUAL NA MAÇONARIA

De uns tempos para cá, tenho sentido algum incômodo ao ouvir certos textos maçônicos sendo lidos em Loja. Eles são organizados e corretos do ponto de vista formal. Muitas vezes, inclusive, trazem informações úteis e podem ampliar a compreensão de quem escuta. O incômodo surge quando fica claro que quem apresentou o texto não passou por nenhum processo real de estudo. Com a popularização da inteligência artificial, isso ficou mais fácil de perceber, mas não é algo novo. A tecnologia apenas escancarou um hábito antigo. Apresentar textos prontos sem que isso tenha acrescentado algo a quem os apresenta. Escrever, na Maçonaria, nunca foi um fim em si mesmo. Sempre foi um meio. Um meio para organizar ideias, confrontar leituras, perceber incoerências e, muitas vezes, descobrir que se sabia menos do que se imaginava. É por isso que comecei este blog. Aprendo escrevendo e depois compartilho minhas ideias. É dessa forma que imagino que muitos irmãos deveriam encarar a tarefa de escrever um text...