A viagem de um Mestre Maçom constitui um compromisso contínuo com a difusão da luz e a reunião daquilo que se encontra disperso. Em termos práticos, o mestre viaja com o propósito de aprender o que ainda não sabe e ensinar o que já compreendeu. Ele se movimenta pelo mundo para apressar o triunfo do direito e da justiça, utilizando a verdade como sua ferramenta principal. Seu objetivo reside em unir as pessoas acima das convicções que costumam separá-las, somando todas as pesquisas e boas vontades em um esforço comum.
Enquanto forças externas buscam dividir a humanidade para dominá-la em favor de interesses egoístas, os mestres se empenham na reconciliação. Eles buscam conjugar as diferentes visões e conhecimentos para livrar o homem do erro e demonstrar, na prática, os benefícios da fraternidade universal. A Câmara do Meio, onde se reúnem os mestres, funciona como um ponto de convergência para todas as crenças que libertam o indivíduo. Trata-se de um centro onde se restaura a confiança mútua e se imprime à moral um caráter que vale para todos, independentemente da latitude ou da cultura.
Qualquer iniciativa voltada ao bem da humanidade depende dessa reciprocidade de intenções para ter harmonia. O grau de mestre é como um laboratório espiritual onde pessoas de todas as partes do mundo podem se reconhecer e trabalhar juntas. O foco deve ser solucionar a crise moral que nos cerca e garantir que os deveres do espírito sejam cumpridos. O convívio humano precisa se basear na liberdade mútua e no aperfeiçoamento constante, guiado por uma ética que nos une sem a necessidade de qualquer tipo de pressão externa.
A verdadeira liberdade pertence a quem deseja tornar livre tudo o que está ao seu redor. Embora sejamos todos diferentes, existe um objetivo final que nos coloca em sintonia: a busca pela perfeição. Presumidamente, esse estado nunca será plenamente alcançado, porém o entendimento entre as pessoas melhora na exata medida em que elas se esforçam nesse sentido. A igualdade real reside justamente nesse esforço de aperfeiçoamento. O destino do homem em sociedade caminha para uma unidade cada vez mais ampla, integrando membros diferentes em um corpo harmonioso.
A Maçonaria se apresenta como uma oficina para a humanidade porque seu propósito é o crescimento coletivo. Melhoramos a nós mesmos através da convivência com o próximo e ajudamos os outros a melhorarem através do nosso exemplo e das nossas ações. Isso cria um movimento onde a humanidade atua sobre si mesma. O Mestre Maçom olha para qualquer semelhante e reconhece nele um membro da mesma comunidade universal. Mesmo sem conhecer alguém pessoalmente, ele entende que faz parte de uma rede de benefícios mútuos, onde corações e mentes se ligam por um laço de ação livre e desinteressada.
O mestre deve se esforçar para elevar o nível dessa perfeição humana. Ele tem essa dívida com os que vieram antes dele e cujos esforços permitiram o acesso ao conhecimento atual. O trabalho voltado apenas ao prazer individual ou de forma isolada perde o seu sentido. Manter o conhecimento trancado e inútil para os outros priva a sociedade daquilo que pertence a todos. É dever do mestre enobrecer seus semelhantes e, consequentemente, todo o gênero humano.
Nessa visão, quem trabalha para os demais acaba trabalhando para si mesmo. É uma associação onde a felicidade de um se reflete nos demais e a dificuldade de um é sentida por todos. Integrar essa corrente amplia nossa dignidade e nos dá uma força nova. Nossa existência possui um objetivo claro e somos elos necessários em uma corrente que vem desde o primeiro homem consciente e segue até a eternidade.
Todos os que realizaram atos nobres no passado, conhecidos ou anônimos, trabalharam para que chegássemos aqui. Habitamos a mesma terra e seguimos as pegadas de quem espalhou virtudes antes de nós. Nossa tarefa é dar continuidade a essa obra, tornando a família humana mais sábia e feliz. Seguimos erguendo as colunas e as paredes desse templo que, por sua natureza magnífica, permanece sempre em construção.
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