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Mostrando postagens de 2025

A PROVA DA TERRA

No Rito Escocês Antigo e Aceito, a prova da terra é a primeira experiência simbólica do candidato no dia da sua iniciação. Ela ocorre na Câmara de Reflexão e seu objetivo é preparar o candidato para ingressar na Ordem, colocando-o em contato consigo mesmo antes mesmo que qualquer instrução ou ritual seja executado no Templo. A terra simboliza a origem, a base. Tudo nasce da terra e a ela retorna. Sendo assim, quando o candidato é introduzido na Câmara de Reflexão está simbolicamente voltando ao ponto inicial, ao essencial (de essência). Por isso, a Câmara é pequena, sem janelas, pouco iluminada e silenciosa. Ela representa uma caverna, um espaço de recolhimento, onde o candidato fica afastado temporariamente do mundo exterior para refletir sobre sua existência, sobre sua própria condição. Durante a Prova da Terra, o candidato passa por três experiências fundamentais. A primeira delas é o despojamento. Ao deixar joias, dinheiro, objetos metálicos e adornos, o candidato é colocado simbol...

A RÉGUA LISA E A RÉGUA DE 24 POLEGADAS

No Rito Escocês Antigo e Aceito, o Aprendiz não utiliza régua. Porém, este instrumento tem importante papel simbólico na passagem do grau de Aprendiz para Companheiro. No cerimonial são utilizadas duas réguas, uma lisa, sem graduação, e outra graduada, com 24 polegadas. Uma vez que estas não são ferramentas de Aprendiz, qual a explicação do seu uso pelo Aprendiz na elevação? Para responder a esta pergunta é necessário que entendamos que os procedimentos ritualísticos que são adotados têm sempre uma razão ligada à concepção e doutrina do rito. Nesse sentido, precisamos voltar no tempo e analisar as páticas operativas das antigas corporações de ofício. Naqueles tempos, não haviam graus maçônicos como hoje, mas tão somente duas classes de trabalhadores da pedra: os Aprendizes Admitidos e os Companheiros do Ofício. Era comum que o Companheiro mais experiente fosse escolhido para coordenar a obra, sendo por isso chamado de Mestre da Obra. Apesar do título, não estamos falando aqui do grau d...

EXPOSURES MAÇÔNICAS DO SÉC. XVIII — PEQUENA ANÁLISE DE THREE DISTINCT KNOCKS (1760)

O século XVIII foi um período marcado por disputas na maçonaria inglesa. A criação da Grande Loja da Inglaterra em 1717 pelos Modernos de Londres não foi bem aceita por uma parcela importante dos maçons ingleses, especialmente os de York, cidade situada ao norte da Inglaterra. Os maçons Antigos, como se autodenominavam, acusavam os Modernos de Londres de terem deturpado os rituais, simplificando cerimônias e introduzindo certas ‘novidades’ liberais sobre as quais eram totalmente contra. Essa contenda teve um importante episódio em 1751 com a fundação, pelos Antigos, da Grande Loja dos Antigos, com o pressuposto de serem eles os “guardiões da antiga tradição”. Nessa época, a maçonaria inglesa passava por uma fase muito turbulenta, especialmente por causa dos vários textos reveladores (exposures) que vinham sendo publicados pelos jornais londrinos, onde eram divulgados vários detalhes dos costumes maçônicos e o modo como os maçons da época trabalhavam em suas lojas. Uma vez que esses tex...

A RETIDÃO DO GRAU DE COMPANHEIRO: REFLEXÃO SOBRE AMÓS 7:7-8

Amós era um homem simples, de origem rural, que viveu por volta de meados do século VIII a.C. Sua profissão era a de pastor de ovelhas, boiadeiro e colhedor de sicômoros (um tipo de figo). Seu período de profecia situa-se entre os reinados de Uzias, rei de Judá (Reino do Sul), e Jeroboão II, rei de Israel (Reino do Norte). Amós vivia na cidade de Tecoa, uma aldeia localizada a aproximadamente 16 km ao sul de Jerusalém, 9 km de Belém e 20 km a oeste do Mar Morto, no reino de Judá. O nome Amós significa “carregador de fardos”, do hebraico ‘amos’. Seu chamado ocorreu para profetizar no reino de Jeroboão, em Israel. Naquele período, havia paz entre Judá e Israel. O rei havia restaurado as fronteiras, conforme profetizado por Jonas (2Rs 14:25). A mensagem de Amós denunciou a condição social (Am 2:6,7), moral (Am 2:7,8) e religiosa (Am 2:8-12) da nação. Amós viveu em um tempo em que a ganância e o dinheiro falavam mais alto: os ricos buscavam acumular ainda mais, a imoralidade atingia níveis...

A ABERTURA DO LIVRO DA LEI NOS TRÊS GRAUS DO REAA

Grande parte do cerimonial maçônico tem raízes nos antigos ritos religiosos, especialmente na tradição hebraica, adaptados às necessidades e contextos modernos. Dentro desse conjunto de práticas, a abertura do Livro da Lei (que no REAA é a Bíblia) simboliza o verdadeiro início dos trabalhos em Loja. Essa prática representa, de forma clara, a presença e autoridade da palavra do Grande Arquiteto do Universo nos trabalhos. O uso de um Livro da Lei na Maçonaria foi formalizado em 1717, com a constituição da Grande Loja da Inglaterra. Naquela época, algumas lojas da região de Yorkshire, ao adotarem o Ritual de Emulação, passaram a abrir a Bíblia em qualquer página, sem a leitura de versículos específicos. Mas tarde, a prática da leitura de versículos durante a abertura foi retomada por algumas Grandes Lojas norte-americanas, e, por influência delas, essa tradição foi incorporada ao Rito Escocês Antigo e Aceito no Brasil e outras obediências da América do Sul. Loja do Aprendiz Maçom Nas sess...

QUANTAS VEZES RESPONDI "SIM" ATÉ ME TORNAR UM APRENDIZ MAÇOM?

Esse texto foi escrito com intuito de relembrarmos os compromissos e o juramento firmados na trajetória entre o Mundo Profano  e o Mundo Maçônico . Durante esta transição, recebemos várias informações sobre a Ordem, bem como exortações sobre obrigações e deveres que teríamos se nos tornássemos maçons. Tanto no decorrer das etapas predecessoras à iniciação quanto durante a própria cerimônia de iniciação em si, somos questionados várias vezes se estamos de acordo com as obrgações que teremos de assumir e se temos certeza de que queremos dar continuidade ao processo. Se depois de tudo nos tornamos maçons, é porque para todos estes questionamentos a resposta foi SIM. Primeiramente, é importante que entendamos o significado da palavra SIM que, no dicionário, é definida como afirmação, aprovação ou consentimento. Esta palavra, apesar de pequena, é gigante e poderosa em significado, pois depois de um simples SIM, afirmamos, aprovamos e consentimos condições, obrigações e situações que afe...

AS COLUNAS ZODIACAIS NO REAA

No Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA), o templo onde acontecem as sessões maçônicas é organizado de forma simbólica, com cada parte representando algo importante na jornada do maçom. Um dos elementos mais marcantes desse espaço são as colunas zodiacais, que são representações dos doze signos do zodíaco e têm um papel simbólico fundamental, especialmente na trajetória do iniciado dentro da Ordem. Essas colunas não estão ali por decoração, nem servem para astrologia ou horóscopo. Elas representam um caminho simbólico que o iniciado percorre ao longo dos graus maçônicos. Esse caminho é inspirado no movimento aparente do Sol no céu ao longo do ano, como ele é visto no hemisfério Norte, que é onde nasceu o R∴E∴A∴A∴. Por isso, tudo no templo segue essa lógica solar: as estações do ano, os pontos cardeais e até a posição dos obreiros. As doze colunas zodiacais são divididas em dois lados do templo. Seis delas ficam na parede do lado Norte: Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão e Virgem. As outr...

O HUMANISMO NO RITO SCHRÖDER

 A Maçonaria, especialmente na forma como é praticada no Rito Schröder, tem como foco principal a formação do caráter das pessoas. Esse rito, criado por Friedrich Ludwig Schröder no começo do século XIX, propõe um caminho de aprendizado baseado na razão, na ética e no autoconhecimento. Uma das ideias mais importantes dentro desse rito é o Humanismo, que é uma forma de pensar que coloca o ser humano no centro das decisões e valoriza o uso da razão, da educação e da moral para melhorar tanto o indivíduo quanto a sociedade. Durante a cerimônia de iniciação, o candidato é levado à Câmara Escura, que é um espaço reservado, separado do Templo, onde ele permanece sozinho por um tempo. Ali, ele encontra frases escritas na parede, que servem como convite à reflexão e mostram os valores que ele deverá seguir caso decida entrar na Maçonaria. As frases dizem: Adquiri força de espírito, para serdes cauteloso e ponderado no falar e na maneira de agir Honrai a verdade! Todo julgamento injusto é u...

O TAPETE NO RITO SCHRÖDER

 O Tapete é um componente central do Rito Schröder. Ele define o espaço simbólico da Loja e orienta toda a disposição ritualística dos membros durante os trabalhos. Sua utilização é obrigatória e está associada à tradição preservada desde os maçons operativos, passando pela Maçonaria especulativa até sua forma atual. O Tapete é posicionado no centro do Templo e sua presença é determinante para a realização regular dos rituais. Historicamente, a prática teve início com o espalhamento de ferramentas no solo pelas corporações de pedreiros. Posteriormente, as representações simbólicas passaram a ser feitas com giz ou carvão sobre o chão das tabernas, sendo apagadas após o encerramento das reuniões. Com a evolução da ritualística, essas representações foram transferidas para tecidos pintados. No Rito Schröder, essa prática se consolidou sob a forma de um tapete com proporções e simbologia específicas. O Tapete é desenrolado antes da abertura da Loja e enrolado após seu encerramento, sem...