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O MANUSCRITO COOKE (1410) - EM PORTUGUÊS

O Manuscrito Cooke é um dos mais antigos e importantes documentos da Maçonaria operativa, datado de cerca de 1410 e atualmente preservado no acervo da Biblioteca Britânica, em Londres. Diferentemente do Regius, seu predecessor em antiguidade, o Cooke é redigido em forma de uma longa narrativa em prosa. O manuscrito original é composto por 68 páginas em pergaminho, medindo aproximadamente 3,32 por 4,68 polegadas. Pelo estilo, estrutura e conteúdo, acredita-se que tenha sido escrito por vários autores — possivelmente clérigos — e que tenha incorporado trechos de documentos ainda mais antigos. O texto combina uma narrativa lendária sobre as origens da Geometria e da arte da Maçonaria com um conjunto de “artigos” e “pontos” que regulavam a conduta dos pedreiros medievais. Sua relevância histórica é enorme, pois oferece um raro vislumbre dos primeiros códigos morais, organizacionais e profissionais da fraternidade maçônica antes do advento da Maçonaria especulativa. Não por acaso, ao elabor...

TEMPERANÇA: A VIRTUDE MAIS IMPORTANTE PARA O APRENDIZ

 O livro Moral e Dogma, de Albert Pike, é uma extensa obra que traz ensinamentos sobre quase todos os graus do Rito Escocês Antigo e Aceito (apenas o 33° não está incluído). Recentemente, estive lendo o primeiro capítulo, dedicado ao grau de Aprendiz, e logo no início o texto traz uma reflexão interessante sobre o papel do intelecto diante da força. Pike compara a força desregulada com o gigante Polifemo, cego, golpeando a esmo, precipitando-se entre as rochas afiadas pelo ímpeto de seus próprios golpes. Isto quer dizer que a força, quando movida apenas pelo impulso, não resulta em crescimento ou progresso. Por isso ela deve ser guiada, precisa ter um cérebro e uma lei. Sendo regulada pelo intelecto e pelo pensamento, a força então se torna capaz de produzir o aprimoramento do ser humano. A Maçonaria oferece a todo iniciado essas duas ferramentas essenciais de aprimoramento interior. O maço, ferramenta operativa semelhante a um martelo, é a primeira delas, e representa a força de v...

DIFERENÇA ENTRE POTÊNCIA E OBEDIÊNCIA MAÇÔNICA

 Toda Potência é uma Obediência, mas nem toda Obediência é uma Potência. As frases são parecidas e parecem sinônimos, mas dizem coisas diferentes. O entendimento dessas diferenças nos ajuda a compreender como a Maçonaria se organiza e se estrutura. Segundo o Dicionário Aurélio, essas palavras têm, dentre outros, os seguintes significados: Potência - qualidade de potente, que tem poder, força; Poder atribuído a alguém que faz com que esta pessoa tenha autoridade ou exerça o poderio que lhe foi dado; domínio. Obediência - ação de quem obedece, de quem é submisso; Disposição para obedecer; Ato pelo qual alguém se conforma com ordens recebidas. A partir daí já pode-se inferir que Potência é quem manda, e Obediência é quem segue. Entretanto, na Maçonaria esses termos são usados de modo mais técnico e particular. Vejamos. Toda Potência é uma Obediência Na Maçonaria, uma Potência Maçônica é uma organização que tem soberania própria. Isso quer dizer que ela tem autoridade para fundar lojas...

ENTENDENDO OS TRÊS TIPOS DE MAÇONS NA VISÃO DE VAROLI FILHO

A Maçonaria é uma escola de construção moral, social e espiritual. Mas, mesmo entre seus membros, existem diferentes formas de enxergar e viver a Ordem. No Capítulo III do livro Curso de Maçonaria Simbólica – Aprendiz (Tomo I) , o autor Theobaldo Varoli Filho apresenta três perfis bastante distintos de maçons: os místicos sérios, os mistificadores e os autênticos. Varoli desenvolve essas classificações em sua obra, e elas nos ajudam a refletir com mais clareza sobre o caminho que escolhemos dentro da Maçonaria. O que propomos aqui não é julgar ninguém, mas estimular reflexões para que cada irmão possa se observar sobre que tipo de maçom é. Vamos entender melhor o que caracteriza cada tipo. Místicos Sérios São aqueles irmãos que olham para as lendas maçônicas com respeito e encanto, mas também com consciência. Sabem que elas não precisam ser verdadeiras no sentido literal para serem valiosas. A beleza dos símbolos, a profundidade dos rituais e o valor filosófico das tradições antigas sã...

O BODE NA MAÇONARIA

Confesso que quanto mais estudo tentando encontrar o tal do “bode na Maçonaria”, mais ele escapa feito um animal arisco, se esquivando e desaparecendo, deixando somente um rastro de lendas e mitos. Existem muitas histórias que tentam explicar a relação entre o bode e a Maçonaria, mas o intuito aqui não é fazer juízo sobre qual delas é legítima (na verdade, suspeito que nenhuma seja). Ao contrário do que insistem muitos panfletos antimaçônicos, manifestações de igrejas, discursos de padres e pastores fanáticos e “causos” da internet, a história de que os maçons utilizam ou adoram bodes em suas sessões não passa de uma fantasia popular. Mesmo assim, o animal se tornou um dos mitos mais duradouros em torno da Maçonaria, mas, curiosamente, os próprios maçons o transformaram em motivo de deboche e brincadeira. Convém iniciar pelo cenário mais remoto, que remonta ao Yom Kippur do Israel antigo. No livro de Levítico 16, é descrita uma prática em que sorteavam-se dois bodes, sendo o primeiro d...

A MAÇONARIA, A IGNORÂNCIA E O EFEITO DUNNING-KRUGER

Existe um aforismo bastante conhecido na Maçonaria que diz: “ Ignorância é nada saber, saber mal o que se sabe e saber coisas além do que se deve saber. ” À primeira vista, parece apenas mais uma frase de sabedoria, dessas que a gente lê e segue em frente. Mas, quando paramos e refletimos bem sobre estas palavras, percebemos que há ali um aviso poderoso. O verdadeiro problema não é simplesmente a ignorância. É algo mais sorrateiro: a falsa sensação de que sabemos mais do que de fato sabemos. É o conforto enganoso da certeza. E veja só: esse mesmo tema, com outra roupagem, foi desvendado há alguns anos pela psicologia: é o chamado Efeito Dunning-Kruger . Em 1999, dois psicólogos — David Dunning e Justin Kruger — resolveram investigar algo curioso: será que as pessoas sabem medir o quanto realmente sabem? Eles aplicaram testes relativamente simples em estudantes universitários. Coisas como lógica, gramática, interpretação de texto. Depois, pediram que cada aluno estimasse o próprio desem...

COGITO ERGO SUM: O MÉTODO DE DESCARTES COMO FERRAMENTA PARA O MAÇOM

É incrível pensar que, muito antes de dominarmos a arte de lançar foguetes ou de simular o comportamento da matéria em laboratórios superequipados, a humanidade já intuía que a liberdade, no fim das contas, começa mesmo é na mente. A formação intelectual nos tempos antigos era estruturada em torno do que chamavam de Sete Artes Liberais — “liberais” justamente por serem destinadas aos homens livres. E o que seria um maçom, se não exatamente isso? Um ser humano livre, empenhado em se aprimorar constantemente através do conhecimento. Divididas entre o Trivium e o Quadrivium, essas disciplinas formavam um verdadeiro mapa, um guia, para a construção da razão humana. Na Maçonaria especulativa, a presença delas é estrutural. Elas são, por assim dizer, o esqueleto invisível que dá sustentação ao edifício simbólico da Ordem. O Trivium, é composto por: Gramática – a arte de empregar símbolos e a linguagem de forma correta Lógica – a arte de raciocinar com clareza, sem dar margem para dúvidas Ret...